Pular para o conteúdo principal

Alemanha amplia proibição da venda de armas por mais seis meses

Exportações de armas para a Arábia Saudita continuam proibidas por mais seis meses, disse a porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, na quinta-feira (28/3). "Durante esse período, nenhum novo pedido de exportação será aprovado".

A proibição, imposta após o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, tem sido criticada por aliados europeus, colocando um ponto de interrogação sobre os bilhões de euros em encomendas militares, incluindo um acordo para venda de 48 caças Eurofighter Typhoon avaliados em $10 bi de libras.

A medida coloca a Alemanha sob pressão crescente do Reino Unido e da França para suspender a proibição imposta após o assassinato do colunista do Washington Post em Riad no interior do consulado saudita em Istambul.

O embarque de mísseis ar-ar Meteor pela empresa MBDA de propriedade da Airbus, BAE Systems, e Leonardo também foi suspenso, uma vez que o seu sistema de propulsão é construído na Alemanha.

Mísseis ar-ar Meteor. Crédito: Telegraph

França e Reino Unido dizem que a sanção também os impede de vender para a Arábia Saudita equipamentos desenvolvidos em conjunto que utilizam componentes alemães.

Agence France Presse (AFP):
"Another unilateral German stop to defence exports, imposed without coordination with European and NATO partners, would be wrong and dangerous," its economic policy expert Joachim Pfeiffer told the Passauer Neue Presse daily. 
This week more than 20 non-government groups operating in Yemen wrote to Merkel to urge her to maintain the freeze, citing the "great risk" that the arms would be used to "facilitate violations of international humanitarian law and human rights".
Germany is among the world's top arms exporters, a group led by the United States that also includes Russia, China, France and Britain.

A política de exportação de armas da Alemanha e suas complicadas regras de licenciamento ameaçam futuros projetos bilaterais de defesa, disse essa semana a embaixadora da França na Alemanha, Anne-Marie Descotes.

A Alemanha pediu também que França e Reino Unido garantam que os sistemas de armas entregues à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos (EAU) não sejam implantados no Iêmen, país que vem sendo devastado há quatro anos por bombardeios da coalizão saudita-EAU. Ao menos 10 mil pessoas teriam sido mortas no Yemen desde o início da guerra em 2015.

A Alemanha concordou então em estender por nove meses as licenças de exportação que já haviam sido concedidas, desde que as empresas envolvidas se comprometessem a não entregar nenhum sistema de armas pronto até o final de 2019. Pesquisas realizadas no país mostram que cerca de dois terços dos alemães rejeitam as exportações de armas.



São Paulo, 1 de abril de 2019

Assine o Feed        Apoie o Ex Post no Apoia.se

Ex Post #433

Twitter: @ExPostCo
MeWe: Aeronáutica & Espaço