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Contra o vício das redes sociais especialistas criam o Center for Humane Technology

No final de 2017, Chamath Palihapitiya, um investidor de capital de risco do Silicon Valley e ex-funcionário do Facebook, fez uma declaração polêmica alertando que as redes sociais estavam despedaçando o tecido social no qual a sociedade funciona. Pouco tempo se passou até que, por volta do Natal o próprio Facebook admitiu os efeitos maléficos das mídias sociais. Mera coincidência? Não. Uma nova onda está se formando e trazendo consigo tecnólogos que fizeram parte das primeiras levas de funcionários do Google e do Facebook "to challenge the companies they helped to build", nas palavras de Nellie Bowles em seu artigo deste domingo (4/2) no NY Times.


Humanatech
A coorte de especialistas está criando o "Center for Humane Technology" visando reverter a crise de atenção provocada pelas tecnologias digitais, realinhando-as com os melhores interesses da humanidade. A lista é grande, incluindo ex-executivos da área de comunicações, desenvolvimento de software e até investidores de primeira hora do Facebook e de outras empresas do Silicon Valley.

Numa das primeiras iniciativas, o CHT planeja uma campanha entitulada "The Truth About Tech", com anúncios a serem veiculados em 55 mil escolas públicas nos EUA. Será fundeado com $7 MM originado do grupo Common Sense Media e capital levantado pelo próprio Center of Human Technology.

Ainda em seu artigo, Bowles cita Tristan Harris, o eticista [ex-Google] que está encabeçando o novo grupo: 
We were on the inside. We know what the companies measure. We know they talk, and we know how the engineering works. 
Harris e seu grupo planejam também atuar no campo legal fazendo lobby no Congresso para que restrinjam o poder das grandes empresas de tecnologia. Projetos de lei para realização de pesquisas sobre o impacto da tecnologia na saúde das crianças e proibição do uso de bots digitais sem identificação já estão tramitando em Massachusetts e na Califórnia respectivamente.

Outro investidor inicial do Facebook, Roger McNamee, diz que se juntou ao CHT porque ficou horrorizado com o que ele ajudou a construir e agora, busca uma uma oportunidade para corrigir o erro cometido.