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#226 - Soyuz: investigação do acidente será completada em outubro

Em pouco mais de uma semana teremos notícias da Roscosmos acerca das causas do acidente com o foguete que levava dois astronautas para a ISS no início do mês. A publicação de um relatório preliminar foi anunciada no último sábado (20) pela agência russa. Ainda sem qualquer posição oficial restam as especulações. 

A causa mais provável do acidente com a Soyuz teria sido a falha em uma das quatro cintas que prendem os boosters ao foguete principal, ocorrida dois minutos após a decolagem. A separação dos boosters não se deu de forma "limpa" como se pode ver em vídeos feitos a partir do solo. Eis como ocorre a separação (aka Korolev Cross*) em condições normais: 

   

EP #215 (16/10):
Desde a falha com o sistema de boosters da nave Soyuz MS-10 ocorrida minutos após o lançamento em 11/10 último, a comunidade científica, engenheiros espaciais, ex-astronautas e outros envolvidos com as atividades da ISS, ligaram o sinal de alerta para a possibilidade dos 3 astronautas atualmente em órbita, terem que retornar à Terra prematuramente.
EP #204 (11/10): Se as investigações não conduzirem a uma solução que garanta a segurança do lançamento até dezembro próximo, a ISS poderá ficar sem ocupantes pela primeira vez desde a sua entrada em operação no ano 2000. De acordo com o protocolo, a nave Soyuz só pode permanecer atracada à ISS por cerca de 200 dias, significando que os 3 astronautas atualmente no espaço terão que retornar com ela.
Korolev Cross (Aeroflap):
A denominação do movimento de separação dos boosters que equipam os foguetes R-7 é uma homenagem a Sergei Korolev, um gênio da engenharia espacial, juntamente com Von Braun. Ele praticamente criou muitos dos conceitos que utilizamos atualmente e conseguiu aproveitar toda a tecnologia tomada pela URSS da Alemanha Nazista.
O Korolev Corss é um desses. Ganhou o nome por causa do formato de cruz que os boosters (first stage) formam após se separar da parte central do foguete. 
A família de foguetes R-7 apresenta um layout do tipo "packet", com um núcleo rodeado por quatro boosters, também chamado de "primeiro estágio", que são motores de curta ação e grande empuxo. Após concluírem o período de queima, os quatro boosters caem na Terra ao mesmo tempo.
O foguete R-7 foi criado no início da década de 50, a URSS desejava criar um míssil balístico intercontinental, primeiro que os EUA que já demonstrava atraso nessa área.
O R-7 seria capaz de voar por até 10 mil quilômetros acima da estratosfera com até 10 toneladas de carga, longe de qualquer ameaça para derrubar o foguete. Na sua concepção estava presente o uso de motores que usam propelente líquido.




São Paulo, 23 de outubro de 2018