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#230 - Ultima Thule: o que quer que façamos será histórico

Se tudo correr como esperado, na virada para 2019 a New Horizon chegará a Ultima Thule, o objeto mas distante da Terra que uma sonda já alcançou. O objeto, na verdade um Kuiper Belt Object (KBO), orbita o Sol a uma distância de 46 UA em seu afélio e 42 UA em seu periélio (ponto mais próximo do Sol).

Pouco se sabe acerca do 2014 MU 69 (como é oficialmente chamado), além de que completa a sua órbita em torno do Sol a cada 297 anos e tem um tamanho estimado entre 30-45 KM em formato alongado. Thule é uma relíquia congelada que remonta ao nascimento do Sistema Solar.

crédito: NASA

Ultima Thule, "além das fronteiras mais distantes", em latim, pode se tratar de um sistema binário - no qual dois objetos orbitam um em torno do outro, os astrônomos não estão certos quanto a isso. "Realmente não temos ideia do que esperar" disse Alan Stern, pesquisador do Southwest Research Institute em Boulder, Colorado. "O que quer que façamos será histórico", completou Stern.

A New Horizon, por sua vez, ficou famosa ao sobrevoar Plutão em julho de 2015 se tornando um marco histórico na exploração espacial. Ao contrário de Plutão, a passagem por Ultima Thule será breve, considerando a velocidade de 32 mil km/h em que estará ao cruzar com o KBO.

Durante a aproximação, todos os 7 instrumentos científicos da New Horizon estarão apontados para o objeto, em busca de pistas sobre a sua composição e sinais de atividade cometária. A câmera de alta resolução, a mesma que nos proporcionou imagens incríveis de Plutão, também fará a sua parte.

Entre novembro e meados de dezembro, a equipe do projeto irá decidir sobre a realização de um sobrevoo (3.500 Km da superfície do objeto), dependendo da existência de poeira, anéis de detritos, luas, etc, que possam prejudicar a sonda durante a aproximação.

Após o encontro, a New Horizon irá girar e começar a enviar sinais com os dados do que encontrou por lá. Algo como 50 GB de dados devem ser enviados. O sinal de rádio levará mais de 12 horas para chegar até o controle da missão na Terra. Para efeito de comparação, o pacote de dados completo de Plutão demorou cerca de 16 meses para ser transmitido. Emoções nos aguardam durante 2019 e além. Vamos conferir!



São Paulo, 26 de outubro de 2019