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#248 - EUA vs China: a nova corrida espacial

A perspectiva de um eventual domínio do espaço por parte da China, se tornou uma preocupação para os formuladores de políticas espaciais dos Estados Unidos. Do ponto de vista de segurança nacional, a criação da Space Force, em vias de obtenção de recursos no Congresso, parece ser uma solução bem encaminhada.

No entanto, a nova corrida espacial não se limita apenas à segurança nacional, mas é também uma questão comercial, como afirma Scott Pace, secretário-executivo do National Space Council, durante um painel na conferência ScienceWriters 2018:
China has a growing commercial space sector that is not simply People’s Liberation Army guys in new suits, but a commercial industry also emerging out there.
And so they are not merely national security competitors, but they’re also potential commercial competitors — as China is in many other areas, said Scott Pace.
There is a global competition at stake, but it’s a much more multidimensional competition than the Cold War was in the 1960s. It is happening on multiple levels.

crédito: Dave Simonds / The Economist

Scott Pace também refletiu acerca de como o "para e anda" dos esforços dos EUA impediu a ida de astronautas além da órbita da Terra no passado recente.
Within the past ten years, NASA has been directed to return people to the Moon and then head to Mars; to bypass the Moon, retrieve an asteroid, and then head to Mars; then go back to the Moon and then go to Mars again. It’s a kind of attention deficit disorder where space policy does not survive a change of presidential administrations.

Se os americanos tiveram lá seus problemas como o "déficit de atenção" citado por Pace, os chineses estão enfrentando um problema ainda maior. O presidente chinês Xi Jinping está reprimindo as dissidências e até mesmo o comportamento anti-social da população com o controle que vem fazendo por meio de concessão de créditos sociais.

EP #054 (19/3):
A partir de maio/18 os cidadãos chineses com baixa quantidade de "créditos sociais" poderão ser impedidos pelo Estado de adquirir passagens de trem ou de avião, de acordo com informações da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional da China divulgadas na última sexta-feira (16/3).
O sistema funciona assim: a pontuação é atribuída ao cidadão de acordo com eventuais crimes cometidos, mas também em função do que compra, diz e faz. Espalhar informações falsas sobre terrorismo, causar problemas em voos, usar tíquetes expirados e fumar em trens, são motivos para atribuição de pontos negativos. Desde que foi implantado, mais de 7 milhões de cidadãos já foram punidos.
Como resultado, o programa espacial chinês tende a ser impactado por efeitos adversos produzidos por tais práticas repressivas.

Mark Whittinton (The Space Review):
The system being set up by Beijing may crush anti-social behavior but it will also squash the sort of creativity needed to conduct a successful space race. People need to be free to question and even argue about current policy.
If Chinese scientists and engineers are too afraid to show initiative, they will operate at a distinct disadvantage to their Western counterparts.




São Paulo 6 de novembro de 2018