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#271 - COP24: mais um encontro do clima sem motivos para otimismo

Dados revelados pela ONU e por organizações de controle das mudanças climáticas nos EUA as vésperas da COP24 darão um tom nada animador às negociações do encontro, que esse ano acontece em Katowice, Polônia, entre os dias 3-14 de dezembro.

Segundo a Organização das Nações Unidas, os gases que provocam o efeito estufa alcançaram níveis recorde em 2017, com sua concentração atingindo 405,5 partes por milhão (ppm) vs 403,3 ppm em 2016.

Petteri Taalas* (OMM):
A última vez que a Terra conheceu um teor comparável em CO2 foi em 3 a 5 milhões de anos: a temperatura era de 2°C a 3°C mais elevada, e o nível do mar era superior entre 10 metros a 20 metros em relação ao nível atual
Os dados científicos são inequívocos. Caso não sejam reduzidas rapidamente as emissões de gases do efeito estufa e, em particular, do CO2, as mudanças climáticas terão consequências irreversíveis e cada vez mais destrutivas para a vida na Terra.
* secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial

Um dado bastante curioso e não menos contraditório é que a Polônia, país sede do encontro, é um grande produtor e consumidor de carvão. 80%+ da energia produzida vem daquele mineral. A maior preocupação do governo polonês é em relação aos 80 mil mineradores que trabalham no setor.

Pelo lado dos EUA, o Fourth National Climate Assessment, um relatório endossado pela NASA, pelo NOAA, pelo Departamento de Defesa (DoD) e 10 outras agências científicas federais, é ainda mais enfático.

Robinson Meyer (The Atlantic):
Climate change, if left unchecked, could eventually cost the economy hundreds of billions of dollars per year, and kill thousands of Americans to boot. 
Many consequences of climate change will last for millennia, and some (such as the extinction of plant and animal species) will be permanent. 
The report is a huge achievement for American science. It represents cumulative decades of work from more than 300 authors. Since 2015, scientists from across the U.S. government, state universities, and businesses have read thousands of studies, summarizing and collating them into this document.
Firefighters, California 2014, crédito: Noah Berger / Reuters

Nossa parte no acordo do clima também não será fácil de cumprir. Um dos compromissos do Brasil é cortar 37% das emissões de gases do efeito estufa até o 2025 com a meta de atingir 43% até 2030. A depender do quesito florestal, em 2030 talvez já não tenhamos mais uma floresta tropical sustentável para preservar (sic). 

EP #237 (30/10):
Em setembro de 2018, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon detectou 444 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal, um aumento de 84% em relação a setembro de 2017, quando o desmatamento somou 241 quilômetros quadrados.
Em setembro de 2018, o desmatamento ocorreu no Amazonas (24%), Mato Grosso (23%), Rondônia (20%), Pará (19%), Acre (11%), Roraima (2%) e Amapá (1%). 
As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 138 quilômetros quadrados em setembro de 2018, apresentando uma redução de 96% em relação a setembro de 2017, quando a degradação florestal detectada totalizou 3.479 quilômetros quadrados. 
Em setembro de 2018 a degradação foi detectada nos estados do Mato Grosso (62%), Pará (22%), Roraima (6%), Rondônia (5%) e Amazonas (4%) e Acre (1%).

Quanto às ações para o futuro próximo, as expectativas ficam por conta da equipe de transição do novo governo que está em vias de apresentar um raio-x da situação atual e a indicação do novo ministro do Meio Ambiente. O grupo de trabalho é composto por 12 técnicos e coordenado por Evaristo de Miranda, doutor em ecologia e diretor da Embrapa. Miranda é um dos cotados para assumir a pasta.

Algum motivo para otimismo?




São Paulo, 24 de novembro de 2018