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#302 - COP24: acordo sobre o clima não é ambicioso o suficiente dizem os críticos

Cerca de 200 países superaram suas diferenças políticas neste sábado (15/12) para chegar a um acordo sobre as regras de implementação de ações climáticas a nível global. Para os mais críticos, no entanto, ele não é suficientemente ambicioso para evitar os efeitos das mudanças climáticas.

Como resultado do encontro de duas semanas realizado em Katowice, Polônia, os ministros produziram um livro de regras com 156 páginas, divididos por temas, que assinala como os países irão relatar e monitorar suas promessas nacionais e atualizar os seus planos de emissões.

Para a ministra do Meio Ambiente da Espanha, Teresa Ribeira, o livro de regras "é suficientemente claro para operacionalizar o Acordo de Paris e isso é uma boa notícia.

Nas circunstâncias atuais, continuar a construir o nosso edifício já é uma vitória". Diz ainda que gostaria que tivessem produzido "mensagens bastante mais fortes" durante o encontro.

No campo das divergências, EUA, Arábia Saudita e Rússia se recusaram a inscrever a referência "acolhimento favorável" na declaração final.

Além disso, os EUA também se preocupam com o reconhecimento do Acordo de Paris acerca da necessidade de se evitar perdas e danos. Temem, os americanos, ser atingidos por processos judiciais visando a obtenção de indenizações.

Ana Carolina Amaral (Folha):
Ao longo da COP-24, a regulamentação do Acordo de Paris enfrentou o desafio de dar viabilidade técnica aos acertos de nível político na França, em 2015.
Com o acordo ratificado por 174 países e em vigor desde 2016, estabeleceu-se o final de 2018 como prazo para conclusão do livro de regras.
Assim, os países terão dois anos para se preparar para o cumprimento das metas, que passam a ser exigidas a partir de 2021.

Quanto aos financiamentos (AFP/EM):
A COP24 insistiu na necessidade de que este financiamento seja "previsível", e convidou os países ricos a elaborarem um relatório sobre o mesmo a cada dois anos, a partir de 2020.
Os países mais pobres esperaram, em vão, gestos fortes envolvendo as promessas das nações ricas de uma ajuda de 100 bilhões de dólares anuais a partir de 2020.
Houve, no entanto, alguns anúncios, como 1,5 bilhão de dólares da Alemanha e 500 milhões de dólares da Noruega.

crédito: devex

EP #241 (27/11):
Segundo a Organização das Nações Unidas, os gases que provocam o efeito estufa alcançaram níveis recorde em 2017, com sua concentração atingindo 405,5 partes por milhão (ppm) vs 403,3 ppm em 2016.
Petteri Taalas* (OMM): A última vez que a Terra conheceu um teor comparável em CO2 foi em 3 a 5 milhões de anos: a temperatura era de 2°C a 3°C mais elevada, e o nível do mar era superior entre 10 metros a 20 metros em relação ao nível atual.
Os dados científicos são inequívocos. Caso não sejam reduzidas rapidamente as emissões de gases do efeito estufa e, em particular, do CO2, as mudanças climáticas terão consequências irreversíveis e cada vez mais destrutivas para a vida na Terra.
* secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial 

 No final do evento, os ministros conseguiram romper um impasse entre o Brasil e outros países sobre as regras de contabilização dos créditos de carbono, adiando a maior parte da discussão para a COP25 em 2019 no Chile.



São Paulo, 16 de dezembro de 2018