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França condena ofensiva turca contra curdos em território sírio enquanto milhares deixam suas casas

A França condena fortemente a ofensiva da Turquia no nordeste da Síria, disse Amélie de Montchalin, Secretária de Estado para Assuntos Europeus nesta terça (8/10). França, Alemanha e UK trabalham numa declaração conjunta para deixar "extremamente claro" a condenação da ofensiva.

A operação desencadeada na última quarta-feira (9/10) irá neutralizar ameaças terroristas contra a Turquia e levar ao estabelecimento de uma zona de segurança que irá facilitar o retorno de refugiados sírios para as suas casas, disse o presidente da Turquia Recep Erdogan pelo Twitter.

O presidente turco planeja obter financiamento internacional para construir uma infraestrutura na região beneficiando o setor de construção civil do país em um momento de crise econômica. De acordo com Erdogan, a “zona de segurança" hospedaria entre 2-3 milhões de refugiados.

Em três dias (9-11/10), a ofensiva de Erdogan fez cerca de 100 mil pessoas abandonarem suas casas no nordeste da Síria, segundo a ONU. O temor é de um novo aumento da crise humanitária na região. Os dados foram divulgados pela ONU na última sexta-feira (11/10) em meio a aproximação de tropas da Turquia à Kobani, a principal cidade da região. As ações se estendem por 400 km ao longo da fronteira entre os dois países.


De acordo com a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediada no Reino Unido, 342 militantes curdos foram mortos entre quarta (9/10) e sexta-feira (11/10). Para o Crescente Vermelho, todavia, o número não passa de 11 mortos no período.

Nos EUA, líderes republicanos no Congresso desafiaram abertamente a decisão de Trump. Para o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell (R-KY), "uma retirada precipitada das forças dos EUA na Síria só beneficiaria a Rússia, o Irã e o regime de Assad". "A decisão impulsiva do presidente desfaz todos os ganhos que obtivemos, jogando a região em um caos maior ainda",  disse a Senadora Lindsey Graham (R-SC).

Apesar das declarações acerca da retirada das tropas americanas no nordeste da Síria Trump não tomou medidas de campo. A retirada de militares dos EUA da região não tem previsão para ocorrer esta semana.

Dias antes do início das ofensivas Trump não parecia incomodado com a perspectiva de conflito armado entre os curdos e a Turquia, sob o argumento de que eles são "inimigos naturais".

Em meio às pressões Trump ordenou ao seu secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que prepare um relatório com possíveis sanções econômicas contra a Turquia. Erdogan, prevendo tal ameaça, já havia declarado estar preparado para retaliar qualquer sanção que lhe seja imposta. "A Turquia luta contra organizações terroristas que ameaçam a segurança nacional", disse o presidente turco em um comunicado.



São Paulo, 12 de outubro de 2019

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